domingo, 29 de janeiro de 2012

Inverno

Se por quem procurássemos, procurasse por nós, se na hora da saudade por quem chorássemos, chorasse por nós, se o tempo parasse para nos ouvir e o vento viesse para nos levar as lágrimas...se a chuva nos caísse sobre o pensamento e toda a tinta amargurada escorresse e desaparecesse no desaguar de todas as gotas que a levassem, seria mais fácil nos levantarmos quando caíssemos e nos magoássemos a sério.

E este frio que me abraça e cisma não largar, o frio de um desentendimento, saudade e desespero que eu tenho de esquecer...

A vida enche-me de coisas, mas, na verdade, nada do que eu preciso ou mereço. Ultimamente, tem-me provocado e eu chateio-me com ela e ela chateia-se ainda mais comigo. Nao sei como parar esta briga... se ela parasse para pensar e ver o quanto é injusta comigo, quando eu nunca sequer a desafiei de verdade...já passa de um tom de brincadeira ou de uma provocação...é um desatino completo.

Sei que há coisas que foram feitas para estarem quietas e eu mexi com elas, sei que ousei exprimentar quando o meu instinto não falhou, mas também tenho que te viver...não estarei de certo à espera que passes à minha frente na fila para o diabo ou para deus, sim, porque o purgatorio é o meu endereço há algum tempo...


Vá lá, dá uma chance de eu te ver com um sorriso nos lábios...eu retribuirei e prometo não esquecer que foi uma oportunidade.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Matemática

Às vezes sinto esta sensação...a sensação de que ainda está algo para acontecer, quando tudo já tem razões para estar mais que acabado. Sempre achei que, como numa resolução matemática em que basta ter um "-" no lugar errado para que nao seja a solução do problema em questão, a vida, fosse igual..que bastasse haver algo mal explicado para que se desse mais corda à bailarina. Depois, depois começam os pesadelos e aí, penso de novo que não é cisma minha, que já vi isto acontecer antes e mais uma vez não quero que aconteça, mas espero que aconteça. O conflito constante na vida de alguém, mas a constante que ninguém decora e ninguém sabe usar, permanece. O teorema suscita o uso da maldita constante e a gente, simplesmente, não consegue resolver...nós sabemos o resto, não sabemos é como ultrapassar o item, que de item passa a ocupar o lugar do nosso falhanço.

As vezes as coisas deveriam ser como os autores de novelas planeam: os bons sofrem, mas acabam por terem o merecido.

E pode não ser azar, mas que será este rumo que o meu estado vital leva, que eu não entendo de onde vem e para onde vai, muito menos o que o leva...se tudo tem uma razão de ser, então qual será a minha? Porque eu não consigo prever um fim certo, ou pelo menos uma estagnação, ou pelo menos um intervalo certo.

Nao me sinto presa a nada, mas também sinto que ninguém me pega, me senta, me olha e me diz que a vida é diferente, que nem tudo é tão negro e que o alivio da dor só são as pessoas, porque não vejo como serão.
Podemos destruir, mas também podemos reerguer, mas toda a gente sabe que o sol não se faz de novo e, com o sol, estamos nós.